Eu via nos olhos daquela menina a tristeza de uma guerra que aterrorizava o mundo. Nunca mais brilhou naqueles olhos a felicidade que antes existia, o sorriso dela nunca mais apareceu.
Escondida em uma casa, não podia ver a luz do sol ou as pessoas que andavam na rua. Seus ouvidos tentavam- se tapar contra o barulho das bombas que aterrorizavam todo território do velho continente.
Enquanto o “Führer” no seu palácio mandava mais tropas para a guerra, crianças inocentes eram mortas em câmara de gás, jovens eram obrigados a servir o país nos exércitos onde suas juventudes eram ceifadas. O país miserável exaltava Hitler nas ruas enquanto os judeus eram massacrados economicamente e moralmente.
Naquele anexo, além de esconder os refugiados, escondia no meio da sujeira a alegria que um dia existiu na família. Anne era consolada pelo seu diário, apelidado de “Kitty”, que contava os terrores da II Guerra e lembrava-se de um passado que ficava ainda mais distante.
As fotos de um passado feliz se contrastavam com o escuro e as horríveis instalações da casa. A raiva e o ódio de sua família que subia no sangue de Anne. As dúvidas e a infantilidade normais da adolescência eram substituídas pela maturidade de uma garota, que antes fugia dos meninos que queriam namorá-la e agora foge dos campos de concentração, da câmara de gás e da morte.
A família Frank é um exemplo de retrato de pessoas que são humilhadas pela ambição, por uma economia que destrói o ser humano moralmente, pelo poder desumano. Esse sofrimento se acabará quando todos nós tivermos uma percepção de que o mundo será melhor se nós respeitarmos o irmão, vendo Deus em cada um deles, sem distinção de raça, cor, sexo e cultura.
Somos todos iguais, mesmo com nossas diferenças. Amar e respeitar o próximo, não são ensinamentos antiquados, mas receitas para um mundo melhor. Paz e harmonia não são apenas sonhos ou imaginações, mas caminhos novos que podemos trilhar, basta deixar as armas do egoísmo, do desamor, da incompreensão no chão e avistar novos horizontes de união no mundo.
Pedro Nunes
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